Para o Silêncio que Fala: Uma Carta ao Yoongi
- Júlia Pimentel
- 5 de abr.
- 3 min de leitura
Que ele é um excelente letrista, instrumentista, rapper, produtor e dançarino todos já sabem. Mas, o que na maioria das vezes é ignorado pelos veículos de comunicação, sejam coreanos ou não, é a sua habilidade de exprimir emoções sem dizer uma palavra sequer. Desde o início, nunca precisou disputar espaço com ninguém, nunca precisou se mostrar maior do que é e, talvez, tenha sido justamente isso que tanto me encantou: a sinceridade tímida de um coração que transborda mesmo quando está quieto.
É impossível falar do Yoon sem mencionar a forma como se entrega ao ARMY. Ele nunca pediu para ser visto como salvador, estar em um pedestal ou receber qualquer título que seja até porque, como ele mesmo diz, seu único objetivo era apenas “fazer música”, mas, apesar disso, se doou completamente. O que nos possibilitou conseguir segurar suas mãos mesmo à distância, o abraçar por meio das suas melodias e nos curar através dos seus versos que provavelmente nem foram escritos com esse objetivo, mas acabaram se tornando um refúgio para milhares de pessoas. Apesar das inúmeras incertezas ou momentos difíceis que precisou enfrentar, ele nunca deixou de ser esse artista repleto de coragem e o ser humano carregado de honestidade que tanto admiramos. Prova disso é que mesmo vivendo em um mundo onde, ironicamente, esperam dele apenas força, decidiu olhar para si e admitir que está tudo bem não ser perfeito. Afinal, o que seria perfeição? Apenas um conceito superestimado que, na prática, nunca é alcançado totalmente.
Em “Snooze”, canta sobre sonhos, sobre querer estar perto, sobre não querer acordar daquilo que é bom demais pra deixar ir e podemos enxergar nisso um reflexo da nossa própria jornada: sonhar é difícil, esperar é extremamente cansativo, mas o importante é não desistir. Enquanto em “Love Myself”, nos ensina a importância de saber se valorizar e reforça que crescer não precisa ser um caminho solitário. Em "The Last”, compartilha o peso que precisou suportar durante um determinado período da vida mesmo sendo jovem demais para lidar com tamanha dor. Já em “First Love”, abre o peito com uma sinceridade invejável ao falar sobre seu primeiro porto seguro. São através desses versos que muitos de nós se sentem representados e chegam à conclusão que, diferente do que muitas pessoas afirmam, o cuidado não precisa ser explícito para ser sincero, a proximidade não depende de presença física para ser validada, que está tudo bem ser forte e vulnerável ao mesmo tempo e que seguir em frente - apesar das cicatrizes ainda não estarem completamente curadas - é um ato de resistência.
Suas conquistas, no entanto, poderiam ter sido trabalhadas de uma forma mais detalhada nesse texto. Quem sabe, talvez, sob uma perspectiva que eu sequer tenha conseguido enxergar. Mas, independentemente da narrativa usada, é entendimento unânime que ele existe assim, em silêncio. Porque às vezes o nosso coração só precisa de alguém que fique ali, ao lado, como um ombro amigo e nos assegure que, apesar do crepúsculo parecer eterno, quando os ponteiros dos minutos e segundos se sobrepuserem e atingirem as zero horas, um novo amanhã chegará e, com ele, ganharemos uma nova oportunidade de ser felizes. Entretanto, isso só é possível porque, para nós, tanto o Yoon como os meninos são família e, através da sua arte, libertam diariamente nossos corações.




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