Mugunghwa: o símbolo coreano por trás dos vinis do BTS
- Elionai dos Santos
- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Desde o lançamento de ARIRANG, novo álbum do BTS, o ARMY observou além da música, os símbolos. Entre teorias e análises, um detalhe chamou a atenção, os discos de vinil de cada membro combinados revelam a cor do disco geral que não é apenas estética, é memória. Essa cor cheia de significado possui uma grande profundidade e faz referência a Mugunghwa – Flor nacional da Coreia do Sul. Mas o que essa flor representa e porque é tão importante na história coreana, ao ponto do BTS ressaltar-la?
Traduzida como “a flor que floresce eternamente”, a Mugunghwa não representa apenas beleza, mas permanência. Floresce repetidamente, resiste ao tempo, às estações e às adversidades, tal como o próprio povo coreano. Na antiguidade, a Península coreana era chamada pelos chineses de “terra de homens sábios onde florescem as mugunghwa”, indicando que essa flor não é apenas um símbolo moderno, mas uma presença ancestral. Durante a era Gojoseon (2333 a.C. - 108 a.C.), ela era reverenciada como “a flor dos céus”, carregando um valor quase espiritual. Mais tarde, no reino de Silla (57 a.C. - 935 a.C.), a própria nação se autodenominava Geunhwahyang — “Terra da Mugunghwa”.
Ao longo dos séculos, o também hibisco sírio, conhecido como “rosa de Sharon” deixou de ser apenas contemplada e passou a ser sentida. Tornou-se símbolo nacional no hino coreano, apareceu em pinturas, selos e narrativas, até se consolidar como emblema oficial após a independência do domínio japonês. Durante esse período sombrio, a Mugunghwa floresceu como ato de resistência — plantada pelo povo como um gesto silencioso, porém poderoso, de identidade e esperança. Não por acaso, a flor que resiste às doenças, que floresce por longos períodos e que renasce inúmeras vezes passou a representar a perseverança, a dignidade e a vitalidade de uma nação inteira. Hoje, ela está presente nos principais símbolos institucionais do país, como a Presidência e a Suprema Corte, carregando consigo séculos de memória coletiva.
Mas talvez o aspecto mais bonito seja o mais simples: a Mugunghwa vive também no cotidiano. Crianças coreanas crescem cantando “Mugunghwa kkoci pieot seumnida” — “A flor de hibisco desabrochou” — frase eternizada globalmente pelo k-drama Round 6, mas que, para a Coreia, sempre foi parte de uma brincadeira inocente, quase como um eco da ancestralidade no presente. É nesse ponto que ARIRANG se revela como uma ponte. Ao fragmentar as cores em discos individuais e, ao mesmo tempo, permitir que elas se unam em uma única tonalidade, o BTS parece traduzir visualmente o conceito de coletividade: sete identidades distintas que, juntas, formam algo maior, mais profundo e eterno. Assim como as pétalas da Mugunghwa, que isoladamente são delicadas, mas em conjunto representam resistência e continuidade.
A escolha não é aleatória. Ela sugere que, assim como a flor nacional, o BTS se posiciona como símbolo de permanência cultural em um mundo efêmero, uma lembrança de que identidade, história e arte não se perdem quando são constantemente reinventadas. Para o ARMY, isso não é apenas teoria. É conexão. As cores dos vinis deixam de ser apenas cores e tornam-se narrativa visual, remetendo a um gesto silencioso de reverência às raízes, à história coreana e à própria jornada do grupo. É como se cada álbum dissesse: “estamos florescendo juntos, resistindo juntos e continuando, como a Mugunghwa.
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