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O Respeito Que o Amor Precisa Ter

  • Júlia Pimentel
  • 15 de fev.
  • 3 min de leitura

Há uma linha tênue que muitos parecem esquecer: a que separa o artista da pessoa. É triste perceber que o amor de uma parte do público - muitas vezes - se confunde com posse, que o carinho que deveria acolher acaba ferindo e que a curiosidade vira invasão. Não podemos esquecer que ninguém - absolutamente ninguém - nem mesmo os nossos ídolos, devem justificar o simples ato de viver.


O Bangtan sempre fez questão de nos lembrar que antes da fama existe o ser humano. Em suas músicas, cantam sobre a importância de amar a si mesmo - nos ensinando que o amor verdadeiro começa no respeito. Respeitar é entender que cada pessoa tem o direito de viver sua própria história longe das expectativas e projeções dos familiares, amigos e, nesse caso, do público que os acompanha. Além disso, elas nos mostram a beleza de se reconhecer como alguém digno de amor e liberdade à medida que também fazem com que avaliemos o peso de viver uma vida moldada por aparência ao permitir que através de “Answer: Love Myself”,  “The Truth Untold” e “Interlude: Shadow”, reflitamos sobre as vezes em que o brilho da fama esconde a solidão de quem só quer poder ser ele mesmo.


Ao longo dos anos, absolutamente todos os membros passaram por momentos onde o amor do público se confundiu com cobrança. Cobrança essa que os transformou em alvos de duras críticas e especulações completamente infundadas. Em outras palavras, o que deveria ser apoio se transformou em invasão. Quando “Life Goes On” foi lançada, em meio a um mundo em pausa, ela nos lembrou de algo simples: a vida segue, e isso também vale pra eles porque, independente de quem escolham ter ao lado ou quais caminhos decidam trilhar, o amor deles - pela música, pelo palco e por nós - continuará o mesmo.


Talvez o exemplo mais bonito desse vínculo genuíno entre o BTS e o ARMY esteja nas pequenas — e, ao mesmo tempo, inúmeras — atitudes que os meninos demonstram desde o início. Durante a Wings Tour, no show realizado em Santiago, no Chile, Jungkook estava passando mal, sentindo dores fortes e com tontura. Mesmo assim, ele escolheu subir ao palco, performar e dar o seu máximo para conseguir concluir o show. Mais tarde, ele explicou que fez isso porque não sabia quando voltaria a se apresentar para os Armys chilenos e que, portanto, queria dar o melhor de si por amor a quem os esperou por tanto tempo. É impossível não ver, nesse gesto, o significado mais puro de entrega: ele colocou a felicidade dos fãs acima da própria dor. 


Em outro momento, quando lhe perguntaram qual havia sido o maior presente que já recebeu na vida, com um sorriso tímido,  respondeu que havia sido o amor dos ARMYs. Uma fã chegou a gritar: “Você é a razão da minha vida” e ele, com a sinceridade que sempre o acompanha, respondeu: “Não, vocês que são a razão da minha existência” — revelando que decidiu tatuar o nome do fandom nos dedos da mão direita como uma forma de se sentir sempre conectado a todos, mesmo quando um oceano nos separa.


Como se essas demonstrações não bastassem, o próprio Namjoon, no último BTS Festa (2022) antes do alistamento militar, pediu que o fandom acreditasse apenas nas palavras que saíssem dos membros e não em rumores ou vozes de fora. “Acreditem no que nós dissermos”, disse ele com firmeza. Momentos como esses são o que continuam fortalecendo esse vínculo entre BTS e ARMY porque nos mostram que, antes de ídolos, eles são pessoas que sentem, se importam, amam e, acima de tudo, merecem respeito.


Como fandom, nossa missão sempre foi - e será - transformar apoio em força, não em prisão; denunciar o ódio ao invés de alimentar rumores; amar com empatia e não com cobrança, e se algum dia eles quiserem compartilhar a própria história, estaremos aqui com o mesmo carinho, respeito e orgulho. Talvez precisemos lembrar, de vez em quando, que o amor não é sobre ter, mas sobre permitir. Permitir que o outro viva, escolha, erre e recomece. Permitir que exista espaço entre o artista e o ser humano pois quando amamos de verdade, queremos ver o outro livre e não preso às nossas expectativas. Então, que a partir de hoje possamos aprender a ser o tipo de fã que escuta antes de julgar, entende antes de questionar e protege sem apontar. Porque, no fim, o amor que mantém o BTS e o ARMY unido é um laço que não nasce do controle ou da cobrança, mas frutifica da confiança.




Referências:

  • BTS: Burn the Stage (episódio 2);

  • Golden: Live On Stage (2023);

  • BTS FESTA 2022.

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