Quanto Vale um Sonho? Os preços, taxas e o valor real de um ingresso
- Júlia Pimentel
- 9 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de jan.

O que você faria para realizar um sonho? Quanto pagaria? Crescemos escutando dos mais velhos que dinheiro não traz felicidade, porém o que esqueceram de nos falar é que a sociedade em que vivemos é impulsionada por esse mecanismo. Mas, o que fazer e como agir quando a indústria do consumo “brinca” com nossos sonhos? Há alguns dias, o deputado Guilherme Cortez (PSOL/SP) acionou o PROCON, órgão que atua na defesa dos direitos dos consumidores, visando apurar a cobrança de taxas abusivas na venda de ingressos da turnê “MagicMan 2 World Tour 2026/2027” do cantor Jackson Wang. O que acabou abrindo espaço para um debate: as taxas atualmente cobradas na venda de ingressos de shows internacionais são realmente justas?
Há quem diga que pagará o que for pra ter a oportunidade de prestigiar quem tanto admira, no entanto, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Em um anúncio realizado pela Organização das Nações Unidas no dia 28 de julho de 2025, o Brasil foi retirado da lista de países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação grave devido à promoção de políticas públicas eficazes. No entanto, isso não significa dizer que os desafios de insegurança alimentar deixaram de existir. Muito pelo contrário, ainda há uma grande parcela da sociedade que não têm acesso adequado ou suficiente a alimentos para uma vida saudável. Diante disso, é inevitável não se questionar como pode, em um país que luta incansavelmente contra a desigualdade social, existirem casos gritantes de violação de direitos fundamentais?
Quando mencionamos essa cobrança abusiva, reiterada e tolerada, não estamos apenas discutindo sobre o valor alto a ser pago em um ingresso mas confirmando uma falha na proteção de um direito fundamental (art.5, XXXII e 215 da CF/1988 c/c art.39, V do CDC) que, ao impedir/dificultar o acesso do consumidor a shows e eventos musicais, cria uma barreira econômica injustificada afastando parte da população e elitizando seu acesso. Em outras palavras, a ilegalidade não nasce da taxa em si, mas da violação de uma estrutura de proteção constitucional que, no fim, está transformando o acesso à cultura em um privilégio econômico. Por isso, é importante que continuemos denunciando essas irregularidades até que as tiqueteiras adequem suas vendas às normas existentes fazendo com que, através da cobrança e fiscalização adequada, nossos direitos saiam do papel e passem a valer de verdade.
Referências:
Constituição Federal, 1988
Ofício nº 1080/2025-PROCONSP-DEX




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